No mês de agosto de 2025, o município de Osvaldo Cruz enfrentou um cenário de estiagem severa, registrando apenas 6,5% do volume de chuvas esperado para o período. A média histórica dos últimos 30 anos aponta para um acumulado mensal de pouco mais de 38 milímetros, no entanto, choveu somente 2,5 milímetros. Esse número só não foi ainda mais baixo graças a uma precipitação isolada ocorrida no dia 20, quando o Bairro Canguçu registrou 12 milímetros em poucas horas, amenizando de forma localizada a seca que persiste na região.
O mapeamento das chuvas é realizado pela Divisão Amadora de Climatologia (DAC) do GOER, que mantém um monitoramento constante através de 11 estações pluviométricas instaladas em parceria com voluntários e produtores rurais. Essas estações estão distribuídas tanto no perímetro urbano quanto em bairros rurais, garantindo uma leitura precisa e descentralizada dos índices de precipitação. Além disso, os dados coletados são comparados junto a instituições oficiais como o SP Águas, antigo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), fortalecendo a credibilidade das análises realizadas.
Ao se encerrar o mês, a situação é ainda mais preocupante: já são 65 dias sem chuvas substanciais em Osvaldo Cruz. Essa ausência prolongada de precipitação traz impactos diretos para a agricultura regional, que tem na base produtiva culturas como café, cana-de-açúcar, milho, soja, amendoim e algodão. A escassez de água afeta o desenvolvimento das plantas, compromete a produtividade e pode gerar prejuízos significativos para produtores, com reflexos na economia local e até mesmo no abastecimento futuro.
Os efeitos da estiagem não se limitam ao campo. Para a saúde humana, a baixa umidade relativa do ar aumenta o risco de problemas respiratórios, alergias e desidratação, principalmente em crianças e idosos. Já no âmbito animal, tanto o rebanho bovino quanto aves e pequenos animais sofrem com a redução de pastagens e a dificuldade de acesso à água de qualidade, comprometendo a nutrição, a produção de leite e a sanidade dos rebanhos.
Esse quadro de agosto de 2025 é um alerta para toda a comunidade. A falta de chuvas, acompanhada de altas temperaturas e baixa umidade, evidencia a importância do monitoramento climático constante e da adoção de medidas de mitigação. Mais do que um dado estatístico, trata-se de um cenário que afeta diretamente a vida das pessoas, os sistemas produtivos e o equilíbrio ambiental do município.
ALESSANDRO A. ROMANO, advogado, especialista em Proteção e Defesa Civil, especialista em Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, MBA Gestão em Segurança Pública, Graduando em Geografia e Engenharia de Segurança no Trabalho, Radioamador PY2OCZ, Membro fundador do GOER, Grupo de Operações de Emergências de Radiocomunicações de Osvaldo Cruz e instrutor da Help Life Treinamentos.